Hotel japonês “demite” mais de 200 robôs de sua equipe

Tudo começou em 2015, quando um hotel chamado Henn-na abria as portas em Sasebo, uma cidade em Nagasaki, e trazia como diferencial o fato de que os seus funcionários eram robôs. Mais do que algo curioso e tipicamente japonês, o estabelecimento foi considerado pelo Guinness como o primeiro do mundo a ter apenas robôs em sua equipe de “funcionários”.

Quase quatro anos depois, e já como uma rede de hotéis que “empregava” 273 robôs, a Henn-na anunciou que cerca de metade deles deixariam de ser utilizados.

O motivo? Ineficiência. Quando foram implantados, os robôs se tornaram uma atração instantânea. Pudera: nem todos eles tinham traços humanoides. O que ficava na recepção, por exemplo, tinha a forma de um velociraptor. O que pode ser mais legal do que ser atendido por um dinossauro, não é mesmo?

Bem, considerando que o velociraptor era incapaz, por exemplo, de atender hóspedes estrangeiros – neste caso, um “ultrapassado” humano era necessário para tirar uma cópia do passaporte -, é bem capaz que diversos hóspedes tenham desejado que o Henn-na fosse um hotel mais convencional. Outro exemplo era a assistente Churi. Uma singela bonequinha que ficava nos quartos e ajudava os hóspedes a realizar diversas funções como controlar a temperatura do quarto. Mas não ia além – devendo até para assistentes mais “básicas”, como a do Google e a Siri – e também sendo fonte de irritação para alguns hóspedes, já que ela acordava os clientes ao confundir o ronco com comandos de voz não compreendidos.

Ela acabou sendo substituída por uma pessoa que respondia às questões dos hóspedes na recepção dos hotéis. Além desses incidentes, também os robôs quebravam constantemente, o que, por consequência, trazia custo alto de manutenção.

Em uma entrevista ao “Wall Street Journal”, Hideo Sawada, presidente da agência de viagens H.I.S., administradora desses hotéis, disse que ainda não desistiu da ideia de utilizar robôs em seus estabelecimentos, mas que será necessário realizar algumas adaptações.

“Quando você usa robôs, acaba descobrindo que há lugares que eles não são necessários – ou, simplesmente, incomodam as pessoas”. O plano para a rede de hotéis, ao menos no futuro próximo, é apostar em tecnologias menos divertidas, mas mais capazes de facilitar a vida dos hóspedes, como portas com fechaduras que utilizam reconhecimento facial.