Rede Social brasileira vai ‘pagar’ usuário por tempo de navegação

De olho em mercados que, juntos, movimentam mais de US$ 600 bilhões por ano, a startup brasileira Plubr vai anunciar em um evento o desenvolvimento de uma nova rede social focada na privacidade e na proteção de dados dos usuários por meio da tecnologia blockchain, a mesma do Bitcoin. Este será o início de um ciclo de eventos que a empresa fará pelo Brasil e exterior. O pré-lançamento é gratuito e aberto ao público, (inscrições no link) e acontece nesta quarta-feira (22), às 19h no Google for Startups Campus | São Paulo.

Imagem: O Futuro das Redes Sociais Hoje

Entrevistamos Miranda, CEO e fundador da Plubr, para conhecer um pouco mais sobre a empresa, o projeto e planos para o mercado, e os desafios em implantar uma nova rede social a partir do Brasil, tendo como maior concorrente o Facebook, as propostas da Plubr em meio a questões de regulamentação que estão ocorrendo no mundo.

– Uma coisa que sempre vem à mente são os desafios em se criar uma nova rede social, ainda mais do Brasil para o mundo, qual a percepção da Plubr em relação a isso?

Nosso maior desafio no momento, não está no desenvolvimento da plataforma em si e de seu ecossistema, temos ótimos profissionais e empresas no Brasil aptos para projetar, desenvolver e implementar protocolos no Blockchain. O desafio maior está agora nas adequações, questões de regulamentação em cada país. Projetamos ter 34 escritórios físicos espalhados pelo mundo para cobrir, na data do lançamento, mais de 140 países, ou seja, jurisdições para adequar cada termo e contratos às leis de cada um desses países. Já iniciamos este processo através da Plubr International Corp na Flórida, USA e da Plubr Europe Ltd. em Londres para cobrir o UK, é um trabalho duro, mas prazeroso. Com relação ao desenvolvimento da plataforma, qualquer dificuldade ou necessidade de transferência de tecnologia é compensada através de parcerias que estamos realizando no exterior, e acredite, estamos bem adiantados nisso através de vários “hubs” que estamos criando ao redor do mundo. 

-Vocês querem ser um novo Facebook?

Erra quem pensa que temos a pretensão em ser um novo Facebook, apesar de todas redes sociais serem iguais em sua essência, nossos modelos de negócios são extremamente diferentes. A Plubr vem ao mercado com uma só missão; fornecer aplicações que aprimorem e conectem a vida das pessoas e organizações respeitando sua privacidade com o uso massivo da tecnologia Blockchain/DLT. Estamos desenvolvendo uma plataforma pensada no conceito de WEB 3.0 Nesta nova Web os conceitos de IoT e remuneração de dados são compartilhados com privacidade e foco no ‘controle’ do usuário, ou seja, você é dono de seus dados e decide como, onde e de que forma pode contribuir para esta aldeia global. Nascemos anos atrás com este preceito de respeitar as pessoas, suas culturas e leis. Não vamos editar nenhum “manifesto anti-Facebook” ou coisas do gênero, ele mesmo vem há anos fornecendo um manual completo de “como não proceder” com o mercado, com as leis e principalmente em relação aos usuários, basta ver o famoso caso da Cambridge, a redução de alcance orgânico, rastreamento de usuários, a fala de seu então vice-presidente Andrew Bosworth em 2016, do Sean Parker agora recentemente, e tantos outros fatos e exemplos de mau uso de dados pessoais. O que vai ser oferecido às pessoas, são opções, alternativas bem estruturadas ao modelo que está aí há anos, porém, lutando contra o abuso de privacidade e do bom senso as pessoas e das leis.

– Em que parte vocês são diferentes do Facebook?

Privacidade é um de nossos focos principais, veja, isso é tão importante que a Microsoft anunciou que desenvolveu uma plataforma para registro de identidade que é gravada na blockchain do Bitcoin para garantir imutabilidade. É disso que estamos falando. Nossas diferenças com o Facebook são muitas, vamos lá, com relação às leis, buscamos fazer as adequações necessárias para atuar nos países, respeitando as diretrizes, e deixar lá os investimentos necessários para expansão, impostos, fomentar a tecnologia local, abrir espaço e estes talentos, não centralizar.

Com relação às pessoas, a privacidade, colocar o usuário no centro na administração da sua identidade e de seus dados, a sua certificação digital, limitações à propaganda intrusiva, o incentivo através da bonificação em toda a estrutura da plataforma e opções de monetização exclusiva para os usuários e influenciadores, a possibilidade de realizar pagamentos e transferências sem taxas.

Para os diferentes tipos de perfis de organizações, a oportunidade de interação através da rede distribuída “peer-to-peer”, ferramentas simples para emissão de contratos inteligentes, gestão inteligente de negócios efetuados no ecossistema da plataforma, a certeza de um “roi” real dentro de métricas satisfatórias, nada de indução, afinal o comércio de um modo geral está atrás de curtidores ou compradores?

Para o segmento de publishers, e outras comunidades, a escolha e o voto nas propostas relacionadas ao alcance e o tráfego de referência na plataforma, isso é uma vantagem do uso da tecnologia Blockchain, e nos dá uma validação e atualização constante, mais democrática e mais assertiva para cada produto ou serviço a ser adequado à rede. Diferentes na estrutura da rede, em sua topologia, a princípio será federada, porém, descentralizada sobre vários aspectos que envolverão os “nós” da rede ou “Fullnodes”.

Com relação às Fakenews, a efetiva redução desse tipo de ativismo. Poderíamos conversar por horas sobre os diferenciais e cada ponto já validado no projeto, porém muitos têm cunho estratégico. Ultimamente o Facebook vem imitando inovações colocadas no mercado por outras empresas da área ou redes menores, não precisamente de nicho, e mesmo assim, estas redes conseguem manter sua base de usuários, dentro deste princípio é que nos colocamos ao mercado como uma alternativa.

– Recursos precisam ser injetados em uma Startup para ela poder escalar, como pensa a Plubr, ou o que ela está fazendo nesse sentido?

Nossa política para captação de investimentos já tem um teto delimitador onde não poderemos ceder percentual além do que foi prefixado, realizaremos em breve um dos primeiros STOs do Brasil, em parceria com a Plataforma Basement que tem sido importante para o projeto, ao mesmo tempo que, dentro de nossa estrutura de empresas, vamos realizar captações no exterior no estilo das STOs, além de que temos um registro arquivado na SEC, e outros que estamos providenciando em outras jurisdições. Uma ICO não está descartada, mas bem diferente destes modelos do passado que só serviram para prostituir o mercado de criptoativos. Fomos financiados pelos nossos acionistas até o momento, e conseguimos recentemente chamar a atenção e abrimos conversação com investidores externos, mas estamos restritos a falar sobre isso devido a um NDA. Acreditamos que, chegou o momento de mostrar nossa cara ao mercado.

– O Facebook também anunciou que vem trabalhando em blockchain, como a Plataforma da Plubr vai fazer seu desenvolvimento?

Em nossa arquitetura já nasceremos com o uso de Blockchain (DLT) para funcionalidades que incluem, mas não se limitam, ao uso de uma moeda virtual que servirá de base para a monetização de usuários por determinadas ações realizadas na Rede e seu ecossistema. O Facebook está mais focado no uso da tecnologia única e exclusivamente para transações financeiras.  Vale ressaltar que, a plataforma nunca vai armazenar informações privadas de usuários, mesmo o hash de informações privadas em Blockchain (DLT). As tecnologias que foram alvo de estudo pelo nosso Diretor de Tecnologia, Maikel Navarro Diaz, que mais se enquadraram dentro de nosso modelo de negócios, e que gerarão uma excelente experiência ao usuário são: EOS, TRON, e HEDERA HASHGRAPH. Um aspecto essencial no desenho da infraestrutura da nossa Rede é voltada a garantir a segurança das informações dos usuários e seu direito sobre seus dados (bem como a sua portabilidade). Vamos utilizar a tecnologia SSI (identidade autosoberana) em conformidade com as normas internacionais e abertas da W3C, Identity Foundation, Hyperledger, entre outros. Com esse objetivo em mente, nos permitirá um rico ecossistema de interações de smart contracts com base nas credenciais criptograficamente verificadas e sua integração com as credenciais emitidas pela EiDAS no caso europeu, promovendo a escala internacional à emissão de credenciais por parte das instituições governamentais, abrindo um horizonte de possibilidades e oportunidades.

O escalonamento ainda é uma barreira a ser transponida por muitos protocolos Blockchain. Nosso modelo de Rede Social nos segmentos de mercado que estamos inseridos, seja o publicidade on-line, e-commerce, economia colaborativa, imóveis, compra de ingressos, etc. nascerá híbrido com funcionalidades off-chain, o que nos garantirá maior competitividade, agilidade, custo zero na maioria das transações.